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Burrinhos Albinos da Ilha da Asinara - Espécie Endêmica


Os "Asini albini dell'Asinara", ou em português, burros albinos da Asinara são uma espécie de burros de pelagem totalmente branca e de lindos olhos azuis existentes somente em uma pequena ilha chamada Asinara, localizada na Comune de Porto Torres, Província de Sassari, Região da Sardenha.


Apesar de muito bonitinhos os animais não são dóceis e a aproximação é feita por meio de visitas guiadas por veterinários e estudantes que estão alocados na ilha para estudo e cuidado da fauna e flora ali existentes desde que a prisão existente na ilha foi desativada em meados do século XX, transformado em Parque nacional para fins de proteção ambiental.


De todos os animais da pequena ilha o mais célebre é o burrinho albino, espécie endêmica, existente somente neste pequeno pedaço de terra em todo o planeta.
Acredita-se que o animal tenha chegado as características atuais pelo cruzamento entre distintas espécies locais com espécies egípcias por volta do ano 700 D.C., em decorrência de um naufrágio de um navio que transportava os animais do Egito para a França bem próximo a costa da Sardenha, tendo os animais sobrevivido refugiando-se na ilha.


A visita a ilha é um passeio maravilhoso, pois além da rica fauna e flora é possível ter uma bela visão do Mar Mediterrâneo que se apresenta em seu esplendor ao redor de toda a sardenha.
Para mais informações visite o site oficial do Parque AQUI.

Sabor do Mediterrâneo em São Cristóvão, Rio de Janeiro


Silvio Podda, sardo, e Paolo di Bella, siciliano, são os chefs do Restaurante Casa do Sardo localizado no bairro de São Cristóvão Rio de Janeiro.
Paolo di Bella
Silvio Podda
No restaurante é possível encontrar o melhor da cozinha mediterrânea (Sardenha e Sicília) sem sair do Brasil.
O restaurante tem recebido grande elogio dos frequentadores e da crítica gastronômica.

Eu ainda não fui, mas estou agendando uma visita. Logo assim que eu for escrevo aqui.

O nome Sardenha


            Do latino Sardinia, terra, ilha dos sardos (Sardi – orum). Nome com o qual os Romanos chamavam a Sardenha e nome da Província Romana da Sardenha, fundada em 227 a.C.

         Os gregos chamavam a Sardenha de Sardo, conectando a Sardo, filho de Eracle que era segundo o mito teria chegada a Ilha com o chefe dos colonizadores da Líbia. A Sardenha era chamada pelos gregos também como Ichnussa, do grego ichnos (pegadas de um pé humano), por sua forma característica (dos quais também Sandaliotis, dos sandalion, sândalo).


         Do radical s(a)rd, que significa a etnia dos sardos, vem so substrato lingüístico mediterrâneo preideuropeu. Acredita-se que o início da história dos sardos indicando a sua terra e a si mesmos com nomes derivados desta base. A mais antiga confirmação  escrita acerca da etnia (srdn) está contida na fenícia “stele di Nora”, do final do século IX a.C. Um outro importante documento do século VI a.C, que refere-se a um tratado de amizade firmado pelos habitantes da potente cidade magno-grego de Sibari e o povo de Serdàioi, os sardos são acreditados com algumas hipóteses, teve o texto gravado em uma tabela de bronze colocado no famoso santuário panelênico de Zeus em Olímpia.


         Vários estudiosos têm sugerido que os sardos devem ser reconhecidos mesmo nos Serdan-, um dos “Povos do Mar” mencionado nos documentos egípcios entre os séculos XVI e XIII a.C. Destarte, podemos imaginar uma civilização nurágica excepcionalmente avançada no Mediterrâneo, levando-se em conta os aspectos arqueológicos. 

Juan Péron ou Giovanni Piras? Seria o ex-presidente da Argentina sardo?


         Existe uma lenda em Mamoiada, uma cidade perto da capital da Província di Nuoro, que afirma ali teria nascido no ano de 1892 Juan Domingo Perón, presidente-ditador da Argentina. Diz a lenda Giovanni Piras que emigrou, em 1909 da Sardegna, foi ajudado a entrar no exercito argentino com o nome falso e então mudou de identidade.
         Em 1945, Juan Perón, fundador e líder do Partido dos Descamisados. Tornou-se presidente da Argentina, cargo que ocupou até 1955 e depois retornou ao cargo, em 1973 até 1974, quando morreu.
         A história de Perón tornou-se difundida na província de Nuoro já em 1955 e sobre o assunto foram escritos 3 livros: Giovanni Piras – Luan Perón dois nomes uma pessoa (1979), obra de Canneddu, Onde nasceu Perón, de Casula e O Presidente, de Ballore.

O poeta Ovídio

        
        Nascido em 43 a.C., Ovídio – Publius Ovidius Naso – é o mais ilustre filho de Sulmona, L’Aquila, Abruzzo. As marcas de sua presença foram quase todas apagadas com exceção da Corso Ovídio, uma estátua do poeta feita no século 20, colocada na Piazza XX Settembre.

Sulmona

         Nos arredores da cidade, há uma ruína conhecida como Villa de Ovidio.
         Considerado como um dos grandes poetas de Roma clássica, escreveu sobre o amor (Arte de Amar) e a mitologia (Metamorfoses), entre outros temas.
         Em 8 d.C. foi exilado para o mar Negro, parte remota do Império Romano, por causa de um escândalo de adultério com Julia, neta do Imperador Augusto.
         Ovídio continuou a escrever sobre o seu infortúnio , morrendo o exílio em 17 d.C. 

Produção de Queijo Parmesão e Presunto de Parma


      Nenhum queijo é tão famoso ou vital para a cozinha italiana como o queijo parmesão (parmegiano).
         Existem dois tipos: o Parmegiano-Reggiano e o Grana, de qualidade inferior.

         Ainda hoje essas delícias são feitos com técnicas quase inalteradas ao longo dos séculos.
         Para fazer o delicioso queijo parmesão acrescenta-se o leite desnatado ao soro para promover a fermentação, sendo depois colocado o coalho. O queijo é então salgado e moldado.
         Utiliza-se o parmesão em diversas receitas, mas também é delicioso servido sozinho ou com peras, uma especialidade italiana.

         O presunto de Parma deve sua excelência a técnicas aperfeiçoadas durante muitos anos e às condições especiais em que é curado. A carne, proveniente de porcos engordados com o uso do soro restante da produção do queijo parmesão, exige pouco mais que sal e pimenta para produzir o famoso prosciutto crudo.

         Brisas constantes fazem das colinas de Langhirano, ap sul de Parma, o local para curar os presuntos envelhecidos por até dez meses.
Belas colinas de Langhirano
         Cada presunto é marcado com a coroa de cinco pontas do antigo Ducado de Parma.
Bandeira do Ducado de Parma
         Essas duas delícias são um pouco da culinária Parma, na Região da Emilia-Romagna.

Sobrenomes Sardos

A Sardegna é a Região Italiana com os sobrenomes mais “significativos”, tanto que bastam somente 10 sobrenomes para identificar quase 10% da população (em Piemonte e Veneto os 10 sobrenomes mais significativos represetam somente 2% da população e na Campânia, somente 5%) e bastam menos de 100 dos sobrenomes mais significativos para reagrupar 1/3 de todos os residentes da Ilha.
Outra particularidade dos sobrenomes sardos é que estes não estão entre os sobrenomes mais difusos na Itália e mativeram a terminação em S e U, mais próximas as línguas latinas do que aos dialetos italianos.
Os sobrenomes sardos mais comuns são Sanna (zanna -  ), Mereu (moretto - morenos), Pinna (narice - narinas), Spanu (rossico – vermelho, para a cor dos cabelos), Virdis (verde – verde, no sentido de verde-oliva), Manca (mancino – canhoto), Canu (dai capelli bianchi – cabelos brancos), Nieddu (nero – preto/negro), Pintus (dipinto – pintura) e aqueles derivados das atividades dos agricultores e pecuaristas como Piras (pera – pêra), Melis (mela – maça), Mura (mora di gelso - amora ), Murtas (mirtillo - mirto), Floris (fiore – flor), Vacca (vacca – vaca), Meloni (meloni – melão), Mele (miele – mel), Fenu (fieno – feno), Puddu (pollo – frango), Boi (bue – boi), Usai (tipo di aglio – tipo de alho).



Sobrenomes mais difundidos por Províncias:

Sassari: 1. Sanna, 2. Pinna, 3. Manca, 4. Carta, 5. Solinas
Olbia Tempio: 1. Deiana, 2. Spano, 3. Derosas, 4. Sanna, 5. Degortes
Oristano: 1. Sanna, 2. Pinna, 3. Serra, 3. Piras, 5. Carta
Nuoro: 1. Sanna, 2. Manca, 3. Piras, 4. Porcu, 5. Floris
Cagliari: 1. Melis, 2. Sanna, 3. Pirra, 4. Serra, 5. Lai

Língua Sarda

A língua sarda é uma língua românica que se desenvolveu de uma forma peculiar por estar em uma ilha isolada do continente, a Sardenha, na Itália. Durante o domínio romano a ilha foi usada como lugar de encarceramento para criminosos reincidentes, passando a formar parte do Império Bizantino posteriormente, para em seguida cair sob domínio muçulmano até ser conquistada pela Coroa de Aragão, razão pela qual até os dias de hoje há um enclave de idioma catalão no porto de Alghero. No século XVIII a ilha se integrou à Itália.
O domínio espanhol durou na Sardenha quase quatro séculos (1327 a 1720); os conquistadores da Sardenha foram aragoneses e levaram à ilha o catalão, mas ao lado desta língua foi introduzido o castelhano, especialmente nos centros de Sassarese e Gallura. Até 1764, o espanhol foi a língua oficial da justiça e das escolas. Muitos autores sardos escreveram em espanhol e catalão. É natural, então, que o espanhol e o catalão deixassem na Sardenha sequelas maiores do que em qualquer outra parte da Itália, dominadas menos tempo e menos intensamente pelos espanhóis.
Antes da dominação romana se falava na ilha uma língua ou línguas que são denominadas pelo termo paleosardo, do qual há evidências em um número de palavras que têm elementos comuns com o basco e com o ibérico, enquanto outras estão relacionadas com línguas bérberes.
Os primeiros textos são do século XI, se bem que a falta de obras literárias de qualidade, a visível diferenciação dialetal, e a subordinação das variedades linguísticas sardas às diferentes línguas dos invasores estrangeiros explicam o fato de nunca ter existido uma língua padrão. Não obstante, a Sardenha é o lugar de maior abundância em textos antigos em língua vulgar, no que se refere à Itália. Talvez a razão se deva ao fato da ilha ter tido pouco contato com o latim e muito menos com o grego, de forma que a maioria dos documentos oficiais, para serem entendidos, deviam ser redigidos em sardo.
Página de um antigo Estatuto Sassaresi, datado do século XIV
Apesar dessa abundância e antiguidade dos textos, a maioria possui alto valor linguístico e histórico-jurídico mas quase nenhum valor literário. O texto abaixo é um exemplo que remonta a 1080-1085:
  ”In nomine Domini amen. Ego iudice Mariano de Lacon fazo ista carta ad onore de omnes homiones de Pisas pro xu toloneu ci mi pecterunt: e ego donolislu pro ca lis so ego amicu caru e itsos a mimi; ci nullu imperatore ci lu aet potestare istu locu de non (n)apat comiatu de leearelis toloneu in placitu: de non occidere pisanu ingratis: e ccausa ipsoro ci lis aem leuare ingratis, de facerlis iustitia imperatore ci nce aet exere intu locu. E ccando mi petterum su toloneu, ligatorios ci mi mandarum homines ammicos meos de Pisas, fuit Falceri e Azulinu e Manifridi, ed ego fecindelis carta pro honore de xu piscopu Gelardu e Ocu Biscomte e de omnes ammicos meos de Pisas; Guido de Uabilonia e ILeo su frate, Repaldinu e Gelardu, e Iannellu, e Ualduini, e Bernbardu de Conizo, Francardu e Dodimundu e Brunu e rRannuzu, Euernardu de Garlictu e tTotnulu, pro siant in onore mea ed in aiutoriu de xu locu meu. Custu placitu lis feci per sacramentu ego e domnicellu Petru de Serra, e Gonstantine de Azzem e Uoso Ueccesu e Dorgotori de Ussam e nNiscoli su frate (en)Niscoli de Zor(ie) Mariane de Ussam…”

A língua conta com cerca de 1,6 milhões de falantes, o equivalente a 70% da população da ilha. Em 1989, 31,6% de seus habitantes usavam apenas o italiano no meio familiar enquanto 54, 4% utilizavam exclusivamente ou principalmente o italiano fora da família.
O sardo se subdivide em quatro variantes principais:
§ Logudorês, falado no centro da ilha, na região de Logudoro. Subdivide-se em três subdialetos: meridional ou nuoresa, central e setentrional.
§ Campidanês, na região meridional da ilha.
§ Galurês, na parte nordeste da ilha (Gallura).
§ Sassarês, na cidade de Sassari e arredores.

Nem todos os dialetos falados na ilha são classificados como sardos pois possivelmente o galurês sejam mais corsos que sardos. Talvez tenham sido levados para a Sardenha por refugiados corsos fugidos das prisões corsas.
Possivelmente o dialeto protótipo da língua seja o logudorês, porque o campidanês está mais associado ao italiano. Não há uma norma aglutinante que seja capaz de unificar o desenvolvimento da língua, que por outro lado também não possui um status oficial.
A Sardenha esteve um século dominada pelos vândalos (455-534) e apenas um ano sob o domínio ostrogodo (552-553), e ao que parece estes contatos não chegaram a influenciar a língua; quase todos os poucos elementos germânicos do sardo foram passados pelo italiano ou procedem do latim vulgar.
As palavras árabes, não muito numerosas, chegaram quase todas através do espanhol e do catalão, ainda que exista um ou outro elemento árabe direto na parte meridional da ilha. Mais importantes são os elementos gregos, se bem que algumas palavras greco-bizantinas podem assim mesmo ter chegado através do latim. Mas sem dúvida são os elementos espanhóis e catalães os que mais influíram sobre o sardo.
Às vezes elementos catalães e espanhóis se sobrepuseram a palavras sardas que desapareceram por completo ou apenas se conservaram nas regiões montanhosas do interior; por exemplo, em toda ilha se encontra o hispanismo ventana, “janela”, e só nos dialetos mais conservadores, como o de Gennargentu, usa-se fronesta ou fenestra. As febres (sobretudo palustres) são designadas no campo pela palavra kalentura (do espanhol calentura), mas o logudorês e os dialetos de Gennargentu conservam derivações do latim febre(m) - freba. Os vocábulos ibéricos (catalães e espanhóis) abundam especialmente na terminologia da administração e da Igreja, por exemplo: sa séu, “a catedral”, em catalão séu, proveniente do latim sede(m); tróna, “púlpito”, em catalão trona. É também catalã, ao menos em grande parte, a terminologia da pesca. É também notável sobre o sardo a influência do italiano, sempre crescente, sobretudo nos centros urbanos.

Personalidades: Stradivarius


O violino desenvolveu-se em Cremona. Os primeiros foram fabricados por Andrea Amati, na década de 1530 e logo tornaram-se muito procurados pelas cortes reais européias devido ao seu som, superior ao da rabeca medieval.
         Entretanto, foi Antonio Giacomo Stradivari (1644-1737), um dos alunos de Niccolò, neto de Andrea Amati, que elevou o trabalho artesanal de fabricar violinos à genialidade.
         Comumente conhecido como Stradivarius, ele costumava andar pelas florestas das Domilitas em busca de madeira perfeita para seus instrumentos.
         Durante sua vida Stradivari produziu mais de 1000 violinos em sua oficina, dos quais 400 existem até os dias atuais, ainda sem rivais, apesar das técnicas e equipamentos modernos.

Violino Stradivarius
         Para saber mais sobre a vida e a obra de Stradivarius, em uma ida a Cremona não deixe de visitar o Museo Stradivarius, o Museo Cívico e o seu túmulo, localizado na Piazza Roma.

Túmulo de Stradivarius

"Comuna" Italiana

     A comuna italiana (em italiano comune; plural comuni, palavras de gênero masculino) é a unidade básica de organização territorial da Itália, equivalente ao município no Brasil.
      Sua estrutura é constituída pelo sindaco, equivalente ao prefeito no Brasil ; pelo conselho comunal (composto pelo sindaco e por um número variável de conselheiros eleitos) e pela junta comunal - um grupo de assessores, escolhidos pelo sindaco.
     A comuna é o ente local fundamental, autônomo e independente, segundo princípios consolidados na Idade Média e parcialmente retomados pela Revolução Francesa, conforme o artigo 114 da Constituição da República Italiana.
Cada comuna pertence a uma província, mas o governo provincial não é intermediário nas relações das comunas com as regiões ou mesmo com o Estado italiano. Por ser dotado de personalidade jurídica, a comuna pode ter relações diretas com a Região e com o Estado e, de fato, sendo as competências de uma região muito mais amplas do que as de uma província, a comuna mantém geralmente mais relações com a região.
    A subdivisão em circunscrições é obrigatória para comunas maiores - aquelas que superam os 100 mil habitantes, a fim de proporcionar uma participação mais directa da população na administração. A cada circunscrição são delegados poderes previstos em estatuto.
     Comunas pequenas e médias, por sua vez, são divididas em frações (frazioni em italiano). A fracção (frazione), todavia, não tem autonomia administrativa, sendo apenas uma divisão geográfico-estatística.
    Em 2001 havia na Itália 8101 comunas. Posteriormente foram criados Baranzate e Cavallino-Treporti. Destas 8103, cem superam os 50 mil habitantes, sendo que 80 são capitais de província.
     Poucas comunas podem exibir o status de "cidade". Esta condição é conferida por um decreto específico do presidente da República Italiana, a partir de sua iniciativa autônoma ou de uma proposta do Governo ou do comune interessado. Aquelas consideradas como cidades possuem um brasão com características heráldicas específicas.

O Primeiro Italiano Capixaba



Livro descoberto no Arquivo Público põe em xeque a historia oficial da imigração italiana no ES: os sardos chegaram 15 anos antes dos trentinos.


Mulher sarda com roupa típica
    Os astrônomos olham para o  imenso universo e descobrem planetas, satélites e meteoros. Na Terra, os historiadores mexem e remexem documentos velhos e desvendam fatos novos que freqüentemente mudam a historia dos homens. Rastreando pistas do tempo em papéis amarelados, os pesquisadores do Arquivo Público Estadual se depararam com um ate então ignorado livro número 132 Da Agricultura, dando conta das despesas do Governo, 1859 a 1863, que pode não alterar o rumo dos acontecimentos históricos sobre a imigração italiana, mas remete a duvida sobre a colonização no Estado e corrige erros documentais do passado.

Homem sardo com roupa típica
    Embora a historia oficial registre que a primeira leva de italianos – 386 pessoas chegou ao Estado em 1874, através da Expedição Tabacchi, vinda da região do Trento, no livro descoberto constam 29 nomes de 12 famílias que deixaram a Ilha da Sardenha e desembarcaram no Espírito Santo 15 anos antes. Como Jean Tomas Ribet, que trouxe a mulher e mais quatro filhos; Pierre Saleng, com o filho Jeaques, de 24 anos; Michel Pascal Bourlot (agora é Borlot); e Jean Jerome Bermond, além de Blanc, Reviglio, Terzoli, Challiol... 
    A transferência da pátria amada para a pátria adotiva custou ao Governo do Estado o total de 319.021 mil réis. Cada imigrante com mais de dez anos de idade recebia 13.144 mil réis, enquanto os menores, 9.021 mil. Com a política de colonização se vislumbrava o aumento do contingente populacional, a ocupação territorial e a expansão das potencialidades produtivas capixabas.
    “Os sardos não podem ser esquecidos ou ignorados, foram os primeiros a chegar ao Estado, e no trabalho dos historiadores não há registro desses colonos, que receberam diária do Governo para ocupar a colônia de Santa Isabel, em Domingos Martins, junto com outra leva de alemães”, afirma o coordenador de apoio técnico do Arquivo Publico, Cilmar Franceschetto. Segundo ele, o fato sequer foi levantado em qualquer seminário do gênero.
    O diretor do Arquivo, Agostino Lazzaro, ressalta que a idéia não é criar polêmica em torno da questão, apenas mostrar a importância de um fato científico, portanto, consumado. Alguns livros mais antigos, ele conta, já citaram a chegada dos sardos, mas a diferença é que agora há uma prova documental reconsiderando o papel desses homens na história da colonização do Estado.


Primeiros Passos


    O curioso nesta historia, Lazzaro acrescenta, é que os colonos italianos, em convívio com os alemães, se deixaram influenciar pelos costumes do segundo grupo – há a hipótese, inclusive, de adesão à religião luterana – e muitos permanecem na região. Uma hipótese leva à outra, e essa talvez justifique a confusão sobre detalhes do tempo do Brasil Colônia e o suposto esquecimento dos sardos. Cilmar observa, ainda, que os sardos, devido à proximidade daquela ilha com a França, também carregam influencia francesa nos próprios nomes. Fato que pode até gerar confusão quanto à identificação da sua origem.
    Na pista dos primeiros passos dos imigrantes que fugiram das três guerras pela unificação da Itália, trabalho que começou por força de um projeto de rastreamento de todas as fontes disponíveis no Arquivo Publico, os seus dirigentes decidiram dar prioridade a essa investigação para explicar o caldeirão étnico que é o Estado. E já conseguiram colocar à disposição do público cerca de nove mil nomes italianos e de outros grupos étnicos.
    Coincidência ou não, às vésperas da comemoração dos 500 anos do Descobrimento do Brasil, o Arquivo Nacional esta propondo aos arquivos públicos estaduais a realização de um amplo levantamento de dados que permita o controle desses acervos e  possibilite sua disseminação sistematizada, através do Guia Brasileiro de Fontes para a Historia da Imigração. O objetivo maior é a recuperação da memória documental do que considera um “novo descobrimento do país”.
    O mesmo levantamento será feito sobre alemães e espanhóis, num trabalho em paralelo ao dos italianos para ser incluído no banco de dados. As descobertas, pelo menos por conta dos italianos, envolvem: uma outra lista, mais numerosa, já foi encontrada, revelando a chegada de 305 imigrantes da comuna de Ovindoli, província de Áquila (na região de Abruzzo), no inicio de 1895. E mais outra com 52 nomes, da comuna de Ocre, também de Áquila, a bordo do vapor Agordat. Também para a construção da ferrovia. Isso dá outra perspectiva à historia, na opinião de Cilmar, que já tratou de contatar alguns dosa nomes sardenhos e também o vice-cônsul da Itália para detalhar as informações. O Governo da Sardenha também será envolvido na discussão, que promete muita polêmica, como a do plano astral. 

A luz e a escuridão

    “Agora surgiu uma luz no fim do túnel”, desabafa o representante de vendas Djalma Moraes Bermond, um dos 29 sardos que trocou a terra em conflito pela terra, digamos prometida. A luz, para ele, significa a possibilidade de obter a cidadania italiana, porque até agora não obteve êxito na empreitada. Com os documentos do Arquivo Publico, Djalma já pode comprovar sua descendência.
    Diz que a vida inteira ouviu do pai a historia de Jean Jerome e desconhecia a sua origem verdadeira, decidiu correr atrás do atestado de óbito do bisavó e dar entrada ao pedido de cidadania. “A lei nos dá esse direito”.
O pai, segundo Djalma, contava que Jean Jerome tinha vindo para o Estado sozinho e aqui se casou com uma índia. Da união, nasceram 22 filhos, quatro deles morreram ainda crianças.
    Por outros motivos, o vice-cônsul da Itália, Deottillio Destefani, também comemora. “Agora ficamos bem à frente da imigração de outros Estados”, diz, embora ressalte que a descoberta da vinda dos sardos 15 anos antes dos trentinos é importante como fato histórico, mas “não muda nada”, considerando inexpressivo o numero de famílias dessa primeira leva de imigrantes.
    A historiadora Gilda Rocha, que há dez anos defendeu tese de mestrado sobre a imigração pela Universidade Federal Fluminense – trabalho utilizado como referencia ate hoje – assegura que não houve omissão do fato pelos pesquisadores, mas diz simplesmente que isso não tem sido revelado. “Há um lado de exaltação aos imigrantes, porque veio tanta gente para cá, mas os trabalhos não se detêm a fulano ou beltrano”.
    Para ela, como os documentos ficam muito dispersos pelo pais afora, esse tipo de pesquisa não tem fim e a cada momento se descobre algo importante sobre a historia dos imigrantes. Se apenas for constatado o registro de 12 famílias da Sardenha, a situação não muda, porque a preocupação é trabalhar com estatística, e essa quantidade não é representativa no quadro geral. Importante, na sua opinião, é saber agora o papel que essas famílias desempenharam.
    “O momento é de levantar novas questões. Será que não existem outros documentos?” Questiona. Afinal, pesquisa histórica é sempre uma caixa de surpresas.

Fonte: A Gazeta / 29-01-1996

Palestra Italia, ou melhor, Palmeiras

Até o início do século XX, o futebol era, No Brasil, um esporte de elite, praticado por pessoas ricas e bem nascidas. Lentamente, entretanto, o novo esporte foi popularizando e atingindo outras camadas da sociedade brasileira.
O Estado de São Paulo presenciou este fato e, assim, vários times populares, como o Corinthians, começaram a surgir, atraindo a grande massa da população para o “jovem” esporte. Com italianos e seus descendentes residentes em São Paulo não foi diferente e vários times começaram a serem organizados nos bairros italianos.
Cheque das indústrias Matarazzo - contribuição ao Palestra Italia
Os imigrantes italianos mais bastados perceberam essa popularidade e resolveram criar um time de futebol dos italianos. Seu objetivo era ter um instrumento de congregação dos italianos locais, diminuindo os conflitos entre eles, em decorrência de divisões regionais, e com o intuito de competir com as elites tradicionais do esporte.
Desta forma, em 1914, foi fundado o Palestra Itália, cujo o uniforme verde e branco, com meias vermelhas, buscava refletir a italianidade ali existente.
 Sucesso do novo time de futebol foi enorme, não somente por sua popularidade, mas também pelo fato de que conseguira conquistar muitos títulos nos anos seguintes, tornando o futebol ainda mais popular entre os italianos e seus descendentes.


Quando da Segunda Grande Guerra o time mudou seu nome para Sociedade Esportiva Palmeiras, nome este que perdura até os dias atuais.

Nos dias atuais o Palmeiras ainda é conhecido como o time de futebol dos italianos de São Paulo.

Nota: Lembramos que nosso texto não possui como objetivo a exaltação de nenhum time de futebol, mas tão somente relatar um fato histórico, social e esportivo referente a imigração italiana no Brasil.

Bibliografia: BERTONHA, João Fábio.  A Imigração Italiana no Brasil  . São Paulo: Saraiva, 2004.

O que tem haver italianos, Brasil e bicicletas?

Dentre as tantas empresas brasileiras de grande porte e conhecidas pelo público brasileiro em geral, algumas destacam-se por terem sido criadas por imigrantes italianos.

Dentre essas empresas podemos destacar a empresa CALOI. Sim, isso mesmo, a marca de referência de bicicletas no Brasil é, na verdade, de origem italiana. Isso se deve ao fato de que, em 1898, era fundada em São Paulo, a Casa Caloi, pelos imigrantes italianos Luigi Caloi e seu cunhado, Agenor Poletti.

            Para saber um pouco mais e ver fotos antigas, inclusive o passaporte de Caloi, acesse o site na empresa: http://www.caloi.com/historia/

Sobrenomes Italianos mais difusos


       
       Como ocorre aqui no Brasil com os sobrenomes Silva, Ferreira, Pereira, Soares, ..., alguns sobrenomes italianos são muitos comuns nas mais diversas Regiões da Itália e pelo mundo.

         Abaixo trazemos o TOP 10 dos sobrenomes italianos mais difundidos:

1º. ROSSI
2º. RUSSO
3º. FERRARI
4º. ESPOSITO
5º. BIANCHI
6º. ROMANO
7º. COLOMBO
8º. RICCI
9º. MARINO
10º. GRECO

A lenda do Panettone

         
         Panettone, o chamado “pão de Toni” (em italiano) surgiu numa cidade ao norte da Itália, no século XV. Segundo a lenda, um jovem decide se disfarçar de ajudante de padeiro para que pudesse convencer o pai de sua amada com algum doce, criou então um pão cujo formato lembrava a cúpula de uma igreja e que fosse de um tamanho incomum (para os padrões da época).
         Em homenagem ao pai da moça, chamou-o de Panettone (pão de Toni), mas não esperava que tal invenção iria aumentar o movimento da padaria fazendo com que muitos cidadãos de Milão desejassem prova-lo, logo a receita alastrou-se para o sul da Itália e de lá para o resto do mundo.

Fonte: Lenda constava de caixa de Panetone comprados há anos atrás.

Oriundi: Você sabe o que significa?

O termo oriundi designa as pessoas de origem italiana, com ou sem cidadania italiana, nascidas em outros países. Junto com elas, vivem no exterior hoje cerca de 5 milhões de italianos nascidos na Itália e que emigraram em algum momento.

O número exato de oriundi é desconhecido, mas deve oscilar em torno de cinqüenta a sessenta milhões de indivíduos, a mesma população da Itália atualmente.

Destes, cerca de 45 milhões estão distribuídos, em partes mais ou menos iguais, entre o Brasil, Argentina e Estados Unidos. O Canadá e a Austrália, o Uruguai e outros países europeus (especialmente a França e a Bélgica) abrigam a maioria dos restantes.
E você? Tem é um oriundi?



Bibliografia: BERTONHA, João Fábio.  A Imigração Italiana no Brasil  . São Paulo: Saraiva, 2004.

 
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